Um levantamento do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPSC mostrou que Florianópolis enfrenta uma grave carência na estrutura de segurança alimentar.
A pesquisa indicou a ausência de restaurantes populares e cozinhas comunitárias em funcionamento na cidade, que conta apenas com um banco de alimentos.
Com mais de 537 mil habitantes e PIB superior a R$ 58 bilhões, Florianópolis convive com mais de 3,2 mil pessoas em situação de rua e 1,4 mil famílias vivendo em insegurança alimentar em 2024.

O estudo destaca a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para garantir o direito à alimentação adequada e dignidade aos cidadãos em situação de vulnerabilidade.
Falta de equipamentos de segurança alimentar em Florianópolis
Um estudo realizado pelo Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou a grave escassez de recursos relacionados à segurança alimentar em Florianópolis. Este levantamento constatou que a capital catarinense não possui nenhum restaurante popular ou cozinhas comunitárias em funcionamento, além de contar com apenas um banco de alimentos. Essa situação é alarmante, principalmente considerando que Florianópolis possui uma população superior a 537 mil habitantes.
A pesquisa evidenciou que a cidade apresenta uma infraestrutura deficiente para atender à demanda por alimentos, especialmente em um contexto onde mais de 1,4 mil famílias viveram em condições de insegurança alimentar em 2024. Mesmo com um Produto Interno Bruto (PIB) que ultrapassa R$ 58 bilhões, a falta de equipamentos adequados para a segurança alimentar em Florianópolis é um indicativo de desafios sociais significativos.
Análise da estrutura de segurança alimentar
Os dados coletados pelo MPSC indicam que a estrutura disponível para a segurança alimentar em Florianópolis está abaixo da média nacional e da média das capitais da Região Sul do Brasil. A cidade é a única da região que não conta com um restaurante popular em funcionamento, enquanto outras capitais como Porto Alegre e Curitiba têm seis unidades cada. Essa falta de restaurantes populares e cozinhas comunitárias em Florianópolis reflete a precariedade das políticas públicas voltadas para a alimentação de população em situação de vulnerabilidade.
O Coordenador do CDH, Promotor de Justiça Eduardo Sens dos Santos, enfatizou que a inexistência de equipamentos públicos adequados para a segurança alimentar configura uma violação dos princípios constitucionais que garantem o direito à alimentação adequada e à dignidade humana. Frases como essas expõem a urgência de uma resposta estatal efetiva e imediata para corrigir as falhas observadas no sistema atual.
Decisão judicial relacionada ao estudo
O estudo elaborado pelo MPSC serviu como base para a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que suspendeu o chamado “Decreto das Marmitas”. Este decreto havia proibido a distribuição de alimentos para pessoas em situação de rua em Florianópolis. O tribunal justificou sua decisão citando a falta de políticas públicas adequadas que pudessem garantir uma proteção eficaz às pessoas em vulnerabilidade social, evidenciando assim a importância dos dados produzidos pelo MPSC para a formação de um entendimento mais claro sobre a realidade local.
A inclusão do trabalho do CDH nesse contexto judicial ressaltou a relevância das informações fornecidas pela pesquisa na formulação de políticas públicas voltadas para a proteção dos direitos humanos e a promoção da segurança alimentar em Florianópolis.
