Caminho da Ilha de Santa Catarina: trilha de 95 km em Florianópolis

A Prefeitura de Florianópolis criou a primeira trilha de longo curso do município, chamada Caminho da Ilha de Santa Catarina (Caisca), com um percurso de 95,2 quilômetros.

Características da trilha Caminho da Ilha de Santa Catarina

A Prefeitura de Florianópolis, através da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), lançou o Caminho da Ilha de Santa Catarina (Caisca), estabelecendo a primeira trilha de longo curso do município. O decreto que oficializa essa iniciativa formaliza um percurso de 95,2 quilômetros que se inicia na Caieira da Barra do Sul e se estende até a Praia de Canasvieiras, podendo ser percorrida nos dois sentidos.

O trajeto é diversificado, levando os caminhantes desde faixas de areia até altitudes de 232 metros em morros, e abrange dez unidades de conservação. Entre elas estão o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e a Área de Proteção Ambiental do Entorno Costeiro. O Caisca integra trilhas conhecidas como Caminho dos Naufragados e Trilha do Morro do Rapa, unindo percursos utilizados por moradores e pescadores ao longo de gerações.

Caminho da Ilha de Santa Catarina

Unidades de conservação ao longo do caminho

O Caminho da Ilha de Santa Catarina não apenas proporciona vistas espetaculares, mas também desempenha um papel crucial na preservação ambiental. O percurso conecta áreas protegidas, somando cerca de 41% da área terrestre do município sob proteção. Isso reforça a conservação de ecossistemas da mata atlântica, incluindo florestas, restingas e manguezais, e aumenta as oportunidades de observação da fauna local.

Florianópolis é lar de aproximadamente 400 espécies de aves, e durante os meses de julho a novembro, é comum avistar a baleia-franca-austral em várias partes do litoral ao longo do trajeto. Ademais, a trilha atravessa regiões de significância histórica e arqueológica, com vestígios de presença humana na ilha datando de há pelo menos 5 mil anos, evidenciados por sambaquis e inscrições rupestres.

O plano de elaboração da trilha incluiu rigor técnico e participação comunitária, com diversas idas a campo para georreferenciamento dos trechos e aprovação junto aos conselhos gestores das unidades de conservação impactadas. O presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, ressaltou a importância dessa colaboração para garantir a qualidade do traçado.

Caminhar ao longo do Caisca também promoverá o desenvolvimento das comunidades locais. Sendo uma trilha de longo curso, que requer o pernoite aos caminheiros, localidades tradicionais como Caieira da Barra do Sul e Pântano do Sul estão preparadas para oferecer serviços de hospedagem e alimentação, alinhando-se com a Política Municipal de Turismo de Base Comunitária.